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Soraya Lucato

artista plástica, arte-educadora, arteterapeuta e atriz

Iniciei minha vida como artista desde muito cedo, pintando e desenhando.  

Na juventude, iniciei a faculdade de educação artística a fim de ensinar arte de maneira simples, pois sempre achei que desenho e pintura não deviam pertencer a uma elite e que todos poderiam fazer dessa linguagem uma ferramenta.  

Mal terminei a primeira parte da licenciatura e já estava em sala de aula, visto que a demanda nos finais dos anos 80 e início dos 90 era excessiva. As salas de aula eram lotadas, cerca de 40 alunos, ou até mais, ocupavam uma infraestrutura sofrível e, por muitas vezes, tive que comprar meu próprio material e emprestá-los para as crianças e os adolescentes. Usava de muita criatividade para improvisar os materiais escassos, substituindo-os por reciclados, sobras, restos e até alimentos vencidos, como: farinha de trigo, polvilho, gelatina e óleo de cozinha que serviam para fazer colas, tintas e massas de modelar. 

O pior, no entanto, não era a escassez de materiais e sim o clima hostil das lideranças e também de muitos colegas de profissão que viam a arte como algo supérfluo que só servia para ocupar a grade curricular. Em meio a esse cenário estava eu, cheia de ideias, vontades e uma convicção de que eu poderia ajudar aquelas crianças a ver o mundo mais colorido.  

Em meio a muita pressão, vi meus esforços sucumbirem e resolvi abandonar a sala de aula. Imediatamente, fui convidada por um grupo de amigos a integrar uma equipe para trabalhar com menores em situação de vulnerabilidade usando como ferramenta, a arte.  

O trabalho de expressão autoral que passei a desenvolver estimulava a investigação e a reflexão das condições sociais e emocionais das crianças. Muitas delas deixaram de usar drogas e de roubar, aumentando a autoestima por estarem em contato com seu poder criador. Foi um momento muito importante para eles e para mim, pois tive a confirmação de minha percepção inicial sobre o fazer artístico: o contato com a expressão espontânea faz o ser humano reencontrar seu lugar no mundo.  

Infelizmente, porém, em virtude das mudanças drásticas nas políticas públicas, os projetos foram desativados e nós artistas ficamos mais uma vez sem trabalho.  

Fiquei muitos anos em áreas similares à arte, trabalhei com produção de teatro, eventos, shows, entre outros. Contudo, algo em mim gritava forte e todas as vezes que eu deixava minha filha na escola, sentia a vontade de voltar à sala de aula.  

Em 2010, decidi que precisava retomar meu caminho. Decidi retomar os estudos de arte e inesperadamente, como uma ventania, minha vida foi invadida por um senhor alemão, residente em Paris, cujas ideias e práticas coincidiam exatamente com o que eu pensava. Imediatamente me pus em marcha para adentrar o universo da autoexpressão, do desenho espontâneo e do jogo de pintar, proposto por Arno Stern. 

Desde que me formei com Stern venho colocando em prática seus estudos tanto na área acadêmica quanto na prática escolar, em ateliê e na arteterapia, pós-graduação que finalizei em 2017.